🌎 Antes de começar: o Google está resolvido a brigar na área de design

Ontem foi o Google IO 2026 e o anúncio que mais me chamou atenção foi um aplicativo chamado Pics.

A nova aposta do Google é um app de design e geração de imagem dentro do Google Workspace, feito pra qualquer um — do time de marketing ao dono de empresa — gerar posts, convites, materiais de marketing e mockups só escrevendo o que quer. A premissa é não precisar de habilidade em edição, ferramentas ou código.

E com o PICS o google tentou atacar um outro problema, que nem mesmo ele conseguia resolver: editar. Você pode:

  • Clicar numa parte da imagem e deixar um comentário, igual no Google Docs ("muda essa cor pra azul")

  • Editar manualmente, tipo trocar o horário do convite de aniversário direto no card

  • Ou só reprompt mesmo, do jeito tradicional

O Google admitiu o óbvio da IA generativa de design: hoje, se a imagem sai 95% boa, você reza pra IA não destruir os outros 95% quando pede pra mudar o detalhe que faltou. Pics tenta resolver isso.

Para quem tem Google IA Ultra, o PICS lança no verão desse ano.

Os 4 Erros que matam a capacidade analítica da IA

Todo mundo que já tentou sabe, IA para fazer análise de dados ainda erra... e MUITO.

Assistindo um podcast da Caitlin Sullivan, fez o sentido o porque. Nós que estamos errando.

Ela treinou centenas de times de produto e pesquisa em empresas grandes (Canva e YouTube entre elas) em como usar IA pra extrair valor real de entrevistas, surveys e dados de cliente.

Erro #1 — A IA inventa evidência

Você vai analisar entrevistar com a IA e ela te entrega uma análise com citações entre aspas. Você vai conferir e a citação não está lá. Ou está, mas ela juntou dois pedaços de momentos diferentes. Ou parafraseou e colocou entre aspas como se fosse fala literal.

Como resolver: regras de citação + verificação.

No prompt de análise, defina as regras:

  • Comece onde o pensamento começa e termine quando ele estiver completo

  • Inclua o raciocínio, não só a conclusão

  • Mantenha hesitações ("acho que", "talvez") — sinalizam incerteza

  • Inclua linguagem emocional quando existir

  • Cite com ID do participante e timestamp [P02 - 14:30]

  • Não combine falas de partes diferentes da mesma entrevista

  • Se passar de 3 frases, quebre em citações separadas

Depois da análise, rode um segundo prompt só pra verificar:

Para cada citação: 1) confirme que existe literalmente na transcrição; 2) se for paráfrase, marque e me dê a fala real; 3) se não encontrar, marque como NÃO ENCONTRADA.

Formato: Citação / Status (Verificada, Paráfrase, Não encontrada) / Fala real (se paráfrase) / Localização.

Erro #2 — Insights falsos ou genéricos

Você pede "principais insights" e recebe coisas como "usuários valorizam simplicidade" ou "há demanda por personalização". Cabe em qualquer pesquisa, de qualquer empresa.

O problema é falta de contexto. A IA precisa de 4 blocos antes da análise:

1. Contexto do projeto — escopo e o que está em jogo. "Estamos avaliando adicionar uma tela ao produto" é específico. "Estou fazendo pesquisa com cliente" é vago, e a IA responde no genérico.

2. Objetivo de negócio — o que você precisa decidir. Se você precisa saber se a feature atrai novos usuários ou afasta os atuais, diga isso. A IA vai pesar a evidência pra responder a SUA pergunta.

3. Contexto do produto — domínio. Sem isso, "quero ver meus dados" é genérico. Com "somos um wearable sem tela competindo com Apple Watch", a mesma frase muda de peso.

4. Quem está falando — "preciso de dados em tempo real" dito por um usuário que churnou do Garmin pesa diferente do mesmo dito por um usuário fiel.

Exemplo de prompt:

Contexto do projeto: avaliando se devemos adicionar uma tela ao Whoop. São 10 entrevistas com usuários que cancelaram.

Objetivo: determinar se uma tela (a) recupera churned users, (b) não resolve o problema deles, ou (c) precisa vir com outras mudanças pra aumentar retenção.

Produto: hoje sem tela, tudo via app. Proposta de valor é foco durante atividade. Concorrentes com tela: Apple Watch, Garmin, Suunto. Sem tela: Oura.

Participantes: todos churned. Tempo de uso: 6 meses a 2 anos. Detalhes individuais nos metadados.

Pra surveys, adicione a estrutura dos dados: quais colunas, como estão formatadas, o que ignorar, como cada código representa (ex: 0 = churned, 1 = active).

Erro #3 — Sinal que não guia uma decisão

Você analisa 300 respostas de cancelamento. A IA volta: "22 mencionaram querer uma tela". Ou "72% de sentimento positivo sobre tela".

Esses números não respondem se você deve construir a tela. Porque não dizem:

  • Quantos dos 22 seriam de fato retidos por uma tela?

  • Quantos disseram "tela" mas queriam "UX melhor"?

  • Quantos têm um problema que tela nem resolve (billing, engajamento, perda pra concorrente)?

Como resolver: ensine sua escala pra IA com exemplos.

Ao invés de pedir "categorize", você dá os níveis com exemplo e justificativa. Pra esse caso:

1 — Tela RETERIA: dor explícita de visibilidade durante atividade.
Ex: "Olho o celular 10 vezes por treino só pra ver minha FC."Por quê: fricção específica com workaround. Tela resolve direto.

2 — Solução mais barata resolveria: parece tela, mas tem fix mais barato.
Ex: "App era complicado de checar no meio do treino."Por quê: visibilidade, mas o celular estava ali. UX resolve sem hardware.

3 — Problema de ENGAJAMENTO: parou de usar, tela não muda isso.
Ex: "Não estava usando o suficiente."Por quê: auto-culpa, sem queixa de feature. Tela não cria hábito.

4 — Problema OPERACIONAL: cobrança, suporte, confiabilidade.
Ex: "Cancelei 3 vezes e continuaram cobrando."Por quê: falha de processo. Tela é irrelevante.

5 — Perda competitiva não relacionada: foi pra outro, sem queixa de tela.
Ex: "Migrei pro Apple Watch, o produto era ok."Por quê: tela sozinha não traz de volta.

Agora a resposta deixa de ser "22 mencionaram tela" e vira "dos 22: 8 nível 1, 9 nível 2, 5 nível 4". Decisão diferente.

Erro #4 — Insights contraditórios

A IA olha pra mesma entrevista e te diz, em momentos diferentes, "o usuário valoriza simplicidade" e "o usuário pediu mais funcionalidades avançadas". Os dois estão na análise. Os dois passam batidos.

Como resolver: passo de verificação no final de toda análise.

Revise a análise acima:

1. Verificação de citações — cada citação existe literalmente na fonte? Sinalize paráfrases, combinações ou citações não encontradas.

2. Contradições — para cada participante, há falas que conflitam em momentos diferentes? Preferências declaradas vs comportamento descrito? Confiança que vira hesitação? Opinião forte que suaviza depois?

3. Confiança — onde a evidência é fina, sinalize. Onde a postura do participante é ambígua ou mista, sinalize.

Devolva um resumo de verificação com flags e revisões recomendadas.

Esse é o passo que quase ninguém roda. E é o que separa análise apresentável de análise confiável.

🎯 O que ninguém te conta

Os 4 erros têm uma coisa em comum: eles acontecem porque a IA está fazendo o que você pediu — sem que você tenha pedido direito.

A capacidade analítica da sua IA já é alta o que está faltando é a sua estrutura de prompt.

Seja meticuloso, corrija pontos exatos e NUNCA fique na preguiça de melhorar um resultado.

🎬 Indicações da semana

1 filme pra inspirar

Air: A História Por Trás do Logo - Nota do IMDB: 7.4

Conta a história de como a Nike em um momento difícil de crescimento apostou todas as suas fichas em 1 único jogador: Michael Jordan.

Hoje pode parecer simples esse investimento, eles fizeram em uma época que Michael estava iniciando sua carreira. O poder de uma ideia fica claro.

1 set pra focar

Solomun na Boiler Room de Tulum - escute 3x por semanas no mínimo como recomendação.

Principais insights

Os 4 erros que matam sua IA como analista:

  1. Inventa evidência → resolva com regras de citação + verificação no final

  2. Insights genéricos → carregue contexto: projeto, objetivo, produto, participantes

  3. Sinal sem decisão → ensine sua escala com exemplos antes de pedir análise

  4. Contradições silenciosas → rode sempre um prompt de verificação final

🚀 Sua ação dessa semana

Pega a próxima análise que você vai pedir pra uma IA — pode ser de entrevista, survey, feedback de cliente, review de produto, qualquer coisa.

Antes de mandar o prompt, faça uma única coisa: escreva os 4 blocos de contexto (projeto, objetivo, produto, quem está falando) em cima do prompt.

Só isso. Vai te tomar 5 minutos extras. E vai mudar a qualidade do que volta de um jeito que te assusta.

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