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"Parem com o teatro de confiança de IA" — o desabafo da Elena Verna que o Lenny abraçou. A tese: metade do LinkedIn finge que tem 17 agentes rodando a empresa sozinha enquanto pede pro ChatGPT reescrever o mesmo parágrafo pela terceira vez. O hype vende certeza onde não existe... e todo mundo sai perdendo. Ler o texto da Elena Verna →
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Bots are taking over the internet. What’s a brand to do Leia o artigo →
Semana passada eu li um texto da Elena Verna que ficou ressoando na minha cabeça. O nome já entrega tudo: "parem com o teatro de confiança de IA".
E o argumento dela é simples. Toda hora aparece alguém dizendo que a IA mudou a vida dele. Aí ela pede uma coisa só: "legal. me mostra." E na maioria das vezes o que aparece é... resumir um Slack. Responder e-mail. Uma pesquisazinha automatizada. Útil? É. Mas mudar a vida, empregos inteiros substituídos, super agente rodando a empresa sozinho? Cadê?
O que não quer dizer que a IA não consiga fazer. Tem muita gente brilhante criando coisa foda com ela, todo dia. Mas o volume e o barulho estão em 11/10.
A mesma performance, novos adereços
E isso tem um motivo. Na internet, a nova cultura do dinheiro gira toda em volta dela. Dos agentes, dos workflows, do medo de estar ficando pra trás.
Repara no padrão. O que há 3 anos era rotina matinal de 3 horas, "trabalho esperto é o que faz dinheiro" e print de receita num dashboard pouco confiável... hoje é IA. É a mesma performance de sempre, só trocaram os adereços.
Aí você abre o feed e é aquilo. O cara que inventou um agente que fatura 100 mil por mês e gastou menos de 3 horas pra criar. O outro que demitiu todos os funcionários e roda a empresa inteira só com agentes.
É possível? Pelo que eu já usei, acredito que sim. Todo mundo que posta esse conteúdo faz de verdade? Como em qualquer outra bolha... tenho certeza que não.
Ninguém dentro do furacão é neutro
E se isso não bastasse, tem um segundo fator que atrapalha ainda mais a nossa capacidade de medir o que é real. As maiores empresas do mundo e os melhores profissionais do mundo estão todos alavancados junto com a IA.
Eu sou fã do Jensen Huang, por exemplo. Mas preciso ter um olhar crítico pro que ele fala, afinal o maior mercado de clientes dele são empresas de IA.
O mesmo vale pras previsões do Dario, da Anthropic. Do Altman, do GPT. De qualquer figura que está literalmente dentro do furacão. Ninguém ali é neutro.
Eu ainda tô na fase de tutorial?
Parece que enquanto o mundo inteiro tá criando o próximo unicórnio, eu ainda tô na fase de tutorial da IA pelo que construo.
E isso não é verdade.
Eu sei que ainda tenho muito o que aprender, óbvio. Mas esse teatro também não é tudo que diz ser.
O que a IA ainda NÃO faz
Porque o que a IA ainda NÃO faz — pelo menos não no volume que aparece na internet — é resolver processo essencial de empresa sozinha, no piloto automático, ou substituir pedaços inteiros de um time com um "super agente" que funciona sem babá. Isso é o que tá sendo vendido. E não é o que tá acontecendo.
O valor não mora no primeiro prompt. Ele mora nos mil prompts depois.
É o modelo que mudou e a prompt parou de funcionar.
É a API que mudou o comportamento do nada.
É a integração que quebrou quieta e você só descobriu três dias depois.
É o output que veio confiante e errado, e alguém precisou ter o olho pra perceber.
Isso não é "configura e esquece". É um sistema vivo, que precisa de gente monitorando, ajustando, testando, refazendo. Toda hora.
E quem faz isso? Pouca gente. Sempre foi pouca gente. Igual sempre foi na academia, no estudo, em qualquer coisa que dá resultado: um monte de gente fala, uma minoria faz as repetições. A IA não mudou isso e não vai mudar também.
🎯 Para de usar o feed como régua
Isso foi quase um desabafo porque me incomoda profundamente. Mas tem uma coisa que eu queria que você levasse dessa edição, é essa: para de usar o feed como régua. A régua tá inflada de propósito, montada por quem precisa do seu clique e por quem tá no meio do furacão vendendo o próprio peixe.
A IA já é a coisa mais foda que apareceu na nossa vida profissional. Ela deve mudar muita coisa mas não precisamos fingir que ela é mágica também. Se você economizou 15 minutos chatos, comemora. Se você construiu um protótipo que ainda erra metade das vezes, fala exatamente isso — a gente vai ficar empolgado do mesmo jeito.
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