Todo trabalho que começa empolgante, animado, novo... eventualmente vira chato como todos os outros. E isso não é um risco. É uma promessa.

O brilho do início sempre apaga. E quando ele apaga, o verdadeiro trabalho começa.

Porque o sucesso de verdade não é colhido no momento empolgante. Ele é colhido depois, quando tudo já virou rotina.

A novidade sempre passa

Eu estou na minha segunda empresa. E antes de me encontrar no mundo de startup, passei por áreas bem distintas — o que, sendo sincero, não é nada bom. Mas uma coisa eu aprendi em todas elas: o início empolgante sempre passa. Seja na Oros agora, na Insight Espresso dois anos atrás, ou cinco anos atrás quando caí no marketing digital... a novidade some. Sempre.

Nesse momento, onde tudo que era novo ficou rotineiro, é o melhor termômetro para saber se você vai longe naquela área.

A pergunta dos 10 anos

Fazer algo muito bem exige tempo e esforço. E pra aguentar os dois, você precisa ter prazer no que faz. Não prazer como assistir um filme comendo um burguer... mas prazer o suficiente pra continuar se aprofundando, buscando solução, vivendo a jornada mesmo quando ela cansa.

E esse prazer só fica realmente identificável quando o efeito do novo já passou. Quando criar conteúdo não é mais divertido, é só mais uma tarefa como qualquer outra... aí sim chega a hora da pergunta que importa: eu consigo fazer isso por mais 10 anos?

Porque pra ser influencer, empresário ou atleta, não bastam os primeiros 6 meses. O resultado que muda a vida é sempre colhido lá na frente. 5, 10, 15 anos depois.

E eu não trago essa reflexão pra te desanimar. Pelo contrário. Eu já vivi o outro lado da equação, onde a ideia de que trabalho podia ser algo prazeroso era tão distante quanto os meus maiores sonhos. O que eu percebo hoje é que um não existe sem o outro.

Então se você já está numa missão há mais de um ano, dedicando muito, e a resposta pra fazer aquilo por mais uma década é não... provavelmente esse não é o seu caminho.

O outro lado é a estagnação

Isso significa que mudar é fácil? Jamais. É difícil e vai ser sempre. Mas é muito melhor enxergar isso, corrigir a rota e construir uma estrutura sólida pra sua vida do que ir se acomodando no que você já conhece e estagnar.

Porque é exatamente isso que eu vejo em quem ignora essa regra: estagnação.

Nós somos, no reino animal, os mais adaptáveis. Todos nós conseguimos fazer as pazes com o que conquistamos e com o que estamos vivendo. Só que isso está longe de ser algo bom. É daí que nascem os zumbis carreiristas. Aquela pessoa que não tem mais vontade, não aprende mais, faz a mesma coisa insatisfeita... porque é o que ela aprendeu a viver.

A solução é o caminho contrário. E sim, muito mais difícil.

É perseguir o desconforto. É correr atrás do incerto. É voltar pra aquele sonho que, depois de anos ouvindo que não tinha como, você acabou desistindo. Porque é nessa jornada — e só nela — que a sua chama não apaga.

A lição

  • A jornada precisa ser decidida pensando muito mais nos 10 anos fazendo aquilo do que na empolgação da ideia inicial. A pergunta certa nunca é "isso me anima hoje?". É "eu me vejo fazendo isso por uma década?".

  • Os problemas vão crescer junto com você. Eles têm que te renovar, não te desanimar. Se eles só desanimam, a garantia é uma só: você não chega onde quer.

  • Se a resposta da pergunta dos 10 anos é não, comece a corrigir a rota agora. Doído, lento, do jeito que for. Estagnar custa mais caro.

A lua de mel sempre acaba.

A pergunta nunca foi se ela vai passar — é o quanto você está disposto quando ela passa.

Se ainda sobra fome... você está no lugar certo.

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